quarta-feira, 25 de maio de 2016

Mais vale tratar já que remediar depois!


Faz hoje precisamente um ano que fui convidado pelo OLAE para falar sobre o impacto das quotas leiteiras na economia açoriana, artigo que foi também publicado por este jornal a 07/04/2015. Nesse artigo, referia a minha preocupação pelo peso deste sector na economia regional, principalmente, pela “volumosa” produtividade de leite que nos coloca como responsáveis por 1/3 da produção nacional e por sermos também a região portuguesa com maior número produtores de leite.

Hoje, tal como previ no passado artigo e face à liberalização do mercado leiteiro, está em curso uma difícil subsistência por parte dos produtores de leite. O preço por litro cai sistematicamente, os produtores criticam as cooperativas que adquirem as suas produções, as associações de produtores “criticam” o governo regional, o Governo Regional critica a Europa e no fim, a Europa critica os produtores por não terem sabido aproveitar os subsídios recebidos! Ou seja, a culpa é sempre do elemento mais frágil nesta cadeia!

De modo a estancar o mercado, foi proposto aos seus associados por algumas cooperativas de leite, uma quota máxima de produção igual à produção do ano anterior, sob risco de quem não cumprir ver o preço do leite diminuir.

Quando algo deste género acontece, aqueles que são “afetados” acabam por se aperceber da real confusão que é o mercado liberal. Começam a querer uma legislação mais apertada, um maior controlo do estado e até mesmo, que o Estado assuma uma função reguladora de preços, permitindo aos produtores não venderem o leite abaixo do preço de custo. Actualmente já grande percentagem (aproximadamente 90% dos produtores de leite) vende o leite abaixo do seu preço de custo o que os coloca em falência técnica e em risco de fecharam as suas explorações agrícolas, e pior, sem qualquer solução real e coerente à vista!

O preço do litro de leite nos Açores é acima do custo médio de produção europeia, o que, acrescido aos deficientes e caros meios de transporte de mercadorias existentes nos Açores os impossibilita de competir no mercado europeu.

Torna-se assim, indispensável criar “consumidores internos”, e qual a melhor forma de criar um consumo elevado de leite do que o aparecimento de novas empresas de produção de lacticínios? No fundo, torcer-se-á o nariz só de pensar no exemplo da Lactopico, mas, a verdade é que sem o aparecimento de novos consumidores o mercado não vai dar a volta por cima, e os subsídios que agora se exigem não são a solução!

O investimento neste sector é necessário, e se existe dinheiro para investir, que se invista! Mas que se invista com consciência e em projectos que possam a médio longo prazo solidificar este sector económico. Agora, investir fundos públicos não para solucionar mas para “esconder” actuais problemas, não obrigado!

Estar a exigir que se injecte dinheiro público sem criar uma solução num sector que se encontra falido é, a meu ver, uma tremenda irresponsabilidade não só para os produtores mas para com os Açores.

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