domingo, 26 de junho de 2016

Valha-nos Santa Paciência!

Apesar de já me ter expressado no passado artigo sobre a questão dos contratos de associação dos colégios privados, a verdade, é que tenho de voltar a falar sobre o mesmo tema, isto porque o que mais se tem visto nos últimos dias é a manipulação de conceitos sociais, distorcendo-os a favor de algo que, no meu ponto de vista, não tem sequer razão de existir.

Neste fim-de-semana vimos acontecer uma manifestação que moveu cerca de 40.000 pessoas das quais a sua maioria crianças e adolescentes, professores dos ditos colégios, pais das criancinhas, vários cartazes sobre o direito de “opção de escolha” e (...) a Assunção Cristas!

Sim é verdade, o CDS-PP saiu solidariamente à rua numa manifestação que apelava à continuação dos contratos de associação entre o Estado e os colégios privados dizendo mesmo que “faz sentido olhar para estes critérios e decidir se, nalguns casos, não deve ser a escola privada ou do setor cooperativo a ser sacrificada, mas deve ser a escola pública que, claramente, não [deve] abrir mais uma turma”, ou seja, simplificando a afirmação, sacrifiquemos novamente os mesmos e "privatizemos" o sector público da Educação.

Para a deputada do CDS-PP esta medida trata-se apenas de uma questão ideológica e radical esquerdista, mas, se olharmos para as medidas conforme eram apresentadas pelo anterior governo, verificamos uma redução de 30 Milhões de euros por ano nos cofres do Estado, traduzindo mesmo numa redução substancial das “gorduras do Estado” pois grande percentagem das escolas que conta com os “contratos de associação” são também aquelas que mais escolas públicas têm ao seu redor, não havendo por isso necessidade desta atual duplicação de gastos. As restantes, aquelas que efetivamente prestam um verdadeiro contributo social vão continuar a receber os cerca de 80.500 Euros por cada turma que abrirem.

Mas pondo eu lenha na fogueira questiono, se os pais hoje se indignam com a mudança das suas crianças para a escola pública mais próxima e, se Assunção Cristas defende o fecho dessas mesmas escolas, para onde vão então as crianças das escolas públicas? Faz-se como se fez nos últimos quatro anos? Sacrificamos novamente as classes sociais com menos força? Dá que pensar não dá? Mas voltando à manifestação...

Como referi, 40.000 pessoas saíram à rua este domingo e manifestaram-se com pompa e circunstancia, mas acima de tudo, manifestaram-se com muitas duvidas inocentes (ou não) que se encontravam inscritas nos mais diversos cartazes, tais como, “Os nossos impostos podem escolher?” ou “A minha escola é a melhor. Ponto”. Os manifestantes gritaram, reivindicaram e entoaram frases de revolta para com as medidas que estavam a ser seguidas pelo Estado. Os mais indignados, chegaram mesmo a dizer que preferiam fazer 60 Km todos os dias para por os filhos nesses colégios do que colocá-los numa escola pública que tinham mesmo ao lado de casa e outros, diziam que o Estado estava a obrigar os pais a fazer 12 km para colocar os filhos numa escola pública quando tinham um colégio privado mais próximo de casa e que isso não se faziam às crianças?!? E aqui até eu fiquei confuso, pois fiquei sem saber bem o que estavam então a reivindicar?

No fundo no fundo percebe-se que o que não querem é ter os seus filhos na Escola Pública, mas que querem que a fatia do Orçamento do Estado para a educação suporte o custo ou parte do custo dos seus filhos estudarem num colégio privado e isso, valha-nos Santa Paciência!




Nota: Video pertencente ao blog manifesto 74

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