quarta-feira, 31 de agosto de 2016

«Nós somos o que fazemos. O que não se faz não existe (…)»


Mesmo que não queiramos, existe uma forte ligação entre ética e filosofia. A nossa ética é o reflexo da conceção filosófica do homem/mulher que nos dá uma visão total de ser social.

A “nossa” ética é o alicerce que serve as nossas relações sociais, as nossas relações de justiça ou do direito e até mesmo das nossas relações interpessoais. Contudo, nunca podemos falar de ética sem falar em valor, virtude, justiça moral, dever, liberdade mas acima de tudo, de responsabilidade.

Nós somos responsáveis pelas nossas escolhas. Não existem “nins”, toda a decisão que tomamos corresponde, tal como na informática, a “simples” binários de 0 e 1. É certo que as decisões podem ser difíceis, pode haver várias variáveis e pesos na tomada de decisão, mas no fim, no momento de qualquer reflexão, o resultado é o mesmo, e esse corresponde à simplicidade do sim ou do não.

«Nós somos o que fazemos. O que não se faz não existe. Portanto, só existimos nos dias em que fazemos. Nos dias em que não fazemos apenas duramos.» (PE. António Vieira)

Todos temos o nosso caminho, nada do que nos acontece é ao acaso, mas tudo acontece ocasionalmente. O nosso destino é feito no momento da nossa decisão, no momento ocasional em que nos deparamos no simples facto de ter de escolher!

«Destino não é uma questão de sorte, mas uma questão de escolha; não é uma coisa que se espera, mas que se busca» (William Jennings Bryan).

Lutar por algo, requer determinação, requer perseverança, requer sacrifício. Lutar requer perder, requer analisar e raciocinar. Lutar requer querer e acreditar por aquilo que se luta! Requer dedicação!

Nada se faz sem luta, mas existem lutas pelas quais não se deve lutar.

«Não basta fazer algo pelo simples bem de algo: certifique-se que isso o ajuda. Se for para sua vantagem, faça um movimento para a frente; se não, fique onde está.» (Sun Tzu).

O mesmo se passa na nossa vida, no nosso dia-a-dia, nas nossas escolhas. Escolher algo que nos faz mal, não é uma escolha sábia, a não ser que essa escolha seja apenas um caminho para um resultado maior que a própria dor inicial!

Saber dizer sim ou não, é um ato de coragem ou de cobardia, é um ato de determinação (seja ela qual for), é um ato de louvor!

Em tudo a ética é a forma como nos definimos, a forma como nos colocamos ao dispor de e para, é a forma como nos damos a conhecer e a forma como representamos os nossos verdadeiros interesses.

O mesmo se passa na política, não só no panorama nacional, como no panorama regional e até local. A ética é o que nos define, é o nosso “slogan” individual de credibilidade. Da mesma credibilidade que quando “falseada” se torna difícil de voltar a hastear como uma bandeira do nosso caráter.

Dr. Pedro Passos Coelho e a Dra. Assunção Cristas perderam-na, perderam a sua ética, a sua postura e toda a sua credibilidade. Por mais declarações que possam proferir, as mesmas roçam mesmo o “pressuposto” da dúvida. Passos Coelho e Assunção Cristas afirmaram declarações distorcidas sobre o défice, sobre a dívida e sobre o investimento privado que se inverteu. O Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, tal como bom professor, corrigiu-os e explicou porque os estava a “chumbar” em tais declarações.

De facto, o investimento que Passos Coelho e Assunção Cristas defendem, não pode no seu “todo” ser considerado um investimento de incentivo à economia. Os estrangeiros que os mesmos defendem, não investiram 1Euro que fosse na criação de novos postos de trabalho, eles, simplesmente limitaram-se a comprar em saldos os investimentos que haviam sido realizados no passado. Não trouxeram nada de novo, aproveitaram-se do que já havia para “maximizar” os lucros privados. O investimento que os deputados do PSD e do CDS apregoam não serviu para desenvolver nem criar nada na economia, e nem tão pouco contribuíram para o crescimento de novos sectores na economia nacional, o que defendem com essas declarações é a transferência dos “rendimentos” públicos para o setor privado através das suas famosas privatizações.

O caráter de Passos Coelho e da Assunção Cristas está morto politicamente. Por mais que se apresentem como alternativa o país já não os quer, e acredito mesmo, que no caso de Passos Coelho, que o próprio partido (PSD) também não o queira.
Isto tudo porque o caráter, o dever, a verdade e o bom senso foram esquecidos em todos os seus padrões da ética.

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