quinta-feira, 29 de setembro de 2016

A Ilha!

Por muito que muitos não queiram admitir, a verdade é que hoje o Pico é o “centro do triângulo”. Bastar-nos-ia apenas olhar para o mapa para perceber a sua importância geoestratégica nos campos sociais e económicos, que vão desde da sua localização privilegiada, e que poderia muito bem servir de apoio às ilhas do Faial e de São Jorge, à sua enorme capacidade “produtiva”. E mesmo que não o tenha sido no passado não o quer dizer que não o possa ser no futuro.

O Pico, há muito que deixou de ser o serviçal de qualquer outra ilha. Passo a passo, de forma lenta mas “robusta”, o Pico tem vindo a tornar-se no pilar de sustentação económico de todo o triângulo, devendo mesmo chamar para a si o papel de principal gerador de riqueza da «economia triangular».
Quer se queira quer não, e por mais manifestações que se façam, não existe nenhum local mais central para se implementar “investimentos comuns” ao triângulo do que na Ilha do Pico. Além do mais, o Pico possui uma economia crescente e no “fulgor” da sua essência, e só por isso, a mesma deve ser apoiada e incentivada de modo a continuar a crescer.

Não nos podemos deixar menosprezar pelas “amarras da história”, temos de acreditar no nosso potencial, no nosso peso e na capacidade desta ilha. Temos de defender e de demonstrar todo o percurso que podemos percorrer, mostrando que o Pico deixou de ser a «Ilha do Futuro» para ser a «Ilha com Futuro». O Pico é hoje a ilha que mais produz Vinho (de elevada qualidade) em toda a Região Autónoma dos Açores, é responsável por mais de 52% do total das quantidades de pescado capturadas e por mais de 55% dos bovinos abatidos no triângulo (dados de 2015 SREA). O Pico é a «ilha da moda» para o setor do turismo. Mesmo sem voos “Low-Cost”, o Pico cresceu nos últimos dez anos mais de 136% nos «proveitos totais» gerados pela indústria do turismo. No segmento do Turismo Rural (TER), o Pico é responsável por 22% do total de dormidas da Região Autónoma dos Açores, só ultrapassado pela Ilha de São Miguel com um peso de 37%. No segmento de Alojamento Local, o Pico cresceu em dormidas até Junho de 2016 mais 16% face ao período homólogo (o Faial cresceu perto de 2% e São Jorge perto de 5%). No segmento Hoteleiro Tradicional e comparativamente com o período homólogo de Junho, o Pico cresceu 14%, abaixo dos 22% do Faial mas acima da evolução negativa de São Jorge (-9%).

Estes resultados conseguidos mesmo com todas as lacunas existentes na abordagem dos transportes da ilha do Pico (aeroporto e gare marítima) são verdadeiros motivos de orgulho. Imaginemos agora todo o impacto e peso económico se a Ilha do Pico possuísse uma verdadeira rede de transportes, com um porto marítimo com possibilidade de receber cruzeiros, veleiros e navios de carga, mas também um aeroporto que fosse efetivamente “projetado” e desenhado para que a sua funcionalidade fosse uma mais-valia para todos (e neste “todos” incluo também os serviços de transporte de passageiros e de cargas de Faial e de São Jorge)!

O Pico é o futuro da «economia do triângulo»!

Não tenhamos dúvida que a “Ilha Montanha” é um filão de ouro que ainda não foi devidamente explorado na Região Autónoma dos Açores. Falta criar o incentivo “chave” para que o “real investimento privado” apareça, é preciso dar condições para que os investidores locais e externos não tenham receio de investir no Pico. Não falo apenas dos Programas ao Empreendedorismo (que mesmo discordando de alguns dos seus pontos considero-os importantes), mas falo principalmente da projeção e construção de infraestruturas necessárias para o “escoamento” de produtos de valor acrescentado que sejam produzidos no Pico, por indústrias do Pico e por “gente” do Pico. Falo de melhoria de condições de transporte de passageiros aéreo e marítimo que permitam receber as “centenas e/ou milhares” de pessoas que querem visitar o Pico e que não podem por falta de disponibilidade de voos diretos da SATA.

Sem olharmos para o Pico como o ponto essencial para o investimento do triângulo corremos o sério risco de deixarmos de olhar para o futuro promissor que a economia do triângulo tem para oferecer.
Continuar a acreditar que o Pico é apenas mais uma ilha, é o maior erro geoestratégico que podemos cometer na atualidade, o Pico não é apenas mais uma ilha, hoje, o Pico é A ilha!






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