domingo, 12 de fevereiro de 2017

Há Férias, Há Turismo, e depois há o Pico!

Desde que saiu a notícia sobre o suposto empreendimento turístico que se pretende efetuar no concelho da Madalena, o novo Hotel de quatro estrelas na areia larga junto à paisagem protegida, que muito se tem falado sobre a sua “aprovação”.  O empreendimento foi de tal ordem “controverso” que centenas de pessoas (residentes e não residentes) insurgiram-se nos sites sociais (facebook) contra o empreendimento, criticando-o severamente sobre o impacto ambiental e paisagístico que o mesmo poderia ter na ilha montanha. Foi de tal ordem, que levou mesmo a ser criada uma Petição Pública para a “proteção” do Pico e do seu futuro intitulada de “A Ilha do Pico não é para ser destruída” e que pode ser assinada em http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT84248 .




O projeto é demasiado tentador, são cerca de seis milhões de euros de investimento, oitenta e quatro quartos, cento e sessenta camas e vários postos de trabalho a serem criados. Quem o projetou, afirma estarmos perante um projeto que vem colmatar uma lacuna ao nível de hotelaria tradicional, e isso é algo que me assusta! Não porque não haveria procura, mas principalmente porque não pode ser esse o turismo que se quer instalar no Pico, uma das sete maravilhas naturais de Portugal.

É certo, que o sector do turismo é hoje um dos principais setores económicos da atualidade. Nos últimos cinquenta anos, o turismo tornou-se num dos maiores casos de sucesso económico em Portugal. É já uma das mais importantes parcelas do produto nacional (pib), contribui de forma significativa para o equilíbrio da balança de pagamentos (exportações - importações), para a criação de emprego, para a criação de novas infraestruturas e essencialmente para o desenvolvimento regional. Mas para que estas “realidades” tenham um impacto verdadeiramente positivo é essencial que o “tradicional modelo de turismo” sofra também ele uma verdadeira revolução. Começa a ser necessário analisar de forma exaustiva o planeamento e o ordenamento territorial do turismo, a economia do ambiente e o turismo e a sustentabilidade do seu desenvolvimento de modo a evitar "qualquer desvio". Uma má “aposta” no modelo que queremos usar no turismo pode causar danos irreversíveis ao ambiente e impactos negativos nas culturas e economias locais.

O modelo que hoje se fala para o Pico e que foi utilizado para o desenvolvimento do turismo em Portugal nos últimos anos está esgotado! A Madeira e o Algarve são exemplos disso mesmo. Estes dois destinos encontram-se prisioneiros da “procura”, e parece quase impossível libertarem-se do chamado “turismo de massas”, um turismo que serve quase apenas para satisfazer a tentativa de manutenção de elevas taxas de ocupação hoteleira (essencialmente em época alta e à custa de preços perto ou abaixo do limiar da rentabilidade) e que são manifestamente agressores para o território e para o ambiente.

Torna-se imperativo que se estude um modelo alternativo para o turismo no Pico, que se crie um modelo que distinga a predominância dos nossos valores coletivos e que garanta a modernidade necessária para receber os turistas. Temos de começar a focar os objetivos mais para a receita do turismo do que para o número de dormidas, mais para o planeamento e ordenamento do território do que na sua ocupação caótica, e mais na territorialização do turismo do que na sua própria turistificação. É urgente que se olhe para a possibilidade de implementar um novo modelo, um modelo que considere mais importante aquilo que somos do que aquilo que temos. Um modelo que tenha como foco a captação da “dream society”, um mercado motivado mais pela inteligência emocional do que racional e que prefere viver não só novas experiências, mas principalmente as emoções geradas pelas características do povo de acolhimento.

Só assim, poderemos ir ao encontro do que foi estabelecido em 1995 na Carta para o Turismo Sustentável, que de acordo com o artigo 1º afirma que “o desenvolvimento do turismo deve basear-se em critérios de sustentabilidade, o que significa que deve ser ecologicamente suportável a longo prazo, bem como economicamente viável, e equitativo em termos éticos para as comunidades locais”.

É óbvio que investimentos de seis milhões de euros são sempre apetecíveis, mas importa agora, é saber conjugá-los com o meio envolvente, eliminando qualquer "poluição paisagística" que possa daí aparecer.

Já o disse e voltarei sempre que necessário a repetir, o Pico é único, é de uma beleza incomparável e tem uma alma especial. O Pico é algo que se sente, é algo que comunica connosco como se tivesse vida própria e no fundo, o Pico não é um qualquer lugar de turismo que se deva massificar.

6 comentários:

  1. Concordo plenamente. Os Açores não podem aderir ao turismo de massas sob pena de perderem o seu verdadeiro encanto e motivo de nos visitarem.

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    1. Boa tarde Patrícia, Obrigado pelo teu comentário.
      É muito importante que consigamos manter o que temos de único e manter aquilo que nos torna diferente e que tantos turistas tem cativado. Tornar-nos "banais" é dar um tiro nos pés para o futuro do turismo do Pico.

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  2. Antonio freitas... mariense! residindo presentemente na cidade de Mississauga ontario canada.. ha trinta anos atraz andei envolvido na comunidade acoriana. Fundador da casa dos Acores na cidade de toronto. Nessa Altura era presidente o Dr. Mota amaral... pois foi convidado muitas vezes para partecipar nas nossas festas da casa, tambem ca veio com a comitiva, que estava a propagandar a zona franca na ilha de Santa Maria. TUdo nos era dito que estavam ao servico dos acorianos.Como tudo vida ha um principio e um fim, ecom a politica essa apenas muda na cor de resto passa ser sempre omemo. Apareceu o Amigo Carlos Cesar com um linguagem muito bonitna, o que deu para derrubar o PSD. Tambem foi convidado Pela direcao da casa dos acores, aonde eu tambem estva encerido, de la ate hoje apenas modou de residencia... os acores e os acorianos passaram foi a Imigrar,o desenvolvimento dos acores, tanto que ainda esta por fazer, mas pelos vistos nao aceitam as ideidas do acorianos que muito tem lutado pelo bem estar da suas gentes ,ca mesmo a distancia. Pois eu sou a Favor de se contruir esse Hotel na Vila da madalena , porque estou a trabalhar e a contactar , politicos que poderam a desenvolver a nossa ilha do Pico e de um modo mais informativo no conxcelho da Madalena... Vamos em frete, e deixarem de blequitices como neste momento esta acontecendo na europa e na vizibha America... Um forte abraco. Freitas

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    1. Boa tarde Sr. António Freitas, todos temos o direito à nossa opinião, uns são a favor outros são contra. Mas mais importante que ser a favor ou contra é esclarecer que, creio eu, ninguém é contra a instalação de unidades hoteleiras na ilha do Pico, muito pelo contrário, o que se pretende é que se construam espaços e infraestruturas adequadas à ilha e ao seu meio-ambiente.
      Um bem haja e obrigado pelo seu comentário.

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