segunda-feira, 13 de março de 2017

Transmaçor | Atlânticoline - Uma balança desequilibrada entre Ilhas


Há uns meses atrás enquanto se discutia| defendia o investimento para a ampliação das condições de operacionalidade do aeroporto da Ilha do Pico, foram várias as vozes que se levantaram contra não propriamente a questão do investimento ser no Pico, mas sim, pelo possível “desinvestimento” do aeroporto do Faial.
Se bem analisado, temos de concordar que todos, quer individualmente quer em conjunto, devemos lutar pelas melhorias constantes das nossas infraestruturas e pelos serviços públicos que nos estão associados às mesmas. No fundo, são essas infraestruturas quer físicas quer pessoais que acabam por nos disponibilizar os serviços públicos de que necessitamos.
Um dos pilares da nossa constituição é o direito de termos condições iguais, independentemente do território em que possamos habitar (artigo 13º da Constituição da República - Principio da Igualdade), e cabe ao Estado promover a igualdade real entre todos os portugueses, bem como, a efetivação dos direitos sociais mediante a transformação e modernização das estruturas sociais (Artigo 9º ponto d da Constituição da República – Tarefas fundamentais do Estado).
Mas esta questão não pode ser aplicada apenas ao investimento do aeroporto, tem de ser “levantada” para todos os serviços públicos, temos de olhar ao nosso redor e analisar todos os serviços públicos que nos estão associados, e a Transmaçor | Atlânticoline, não pode fugir a esta abordagem dos princípios atrás invocados.





Várias são as “reclamações populares” sobre a insatisfação dos horários que se praticam por esta empresa, horários que não servem a população de São Jorge e que tendem a ser por vezes incompatíveis com a necessidade dos Picarotos. Sim, também é verdade que nem sempre se consegue agradar a todos os utilizadores dos serviços públicos, mas mesmo assim convém sempre tentarmos melhorar. E foi isso que a Transmaçor | Atlânticoline fez e bem …
Com a cada vez maior discussão dos voos para o Aeroporto do Pico, principalmente os voos diretos, a Transmaçor | Atlânticoline emitiu um comunicado a anunciar a alteração da viagem de sábado entre a Madalena e a Horta, passando esta, a ser realizada às 15 horas em vez das 14 horas habituais. Desta forma, as viagens da Transmaçor | Atlânticoline passam a ser compatíveis com o horário da Sata | Azoresairlines para os voos diretos entre Lisboa e o Pico, o que permite a quem reside no Faial, poder deslocar-se durante o seu trajeto sem interrupções.
A preocupação demonstrada por esta empresa (Transmaçor | Atlânticoline) para com os seus passageiros é de louvar, pena é, que essa mesma preocupação tenha ficado apenas num único sentido, o sentido da direção do Faial. No mesmo propósito do louvar da preocupação demonstrada anteriormente, seria de se esperar uma preocupação também por quem reside no Pico (e com a devida precaução excluo agora São Jorge uma vez que a ligação aérea é feita preferencialmente pela Ilha Terceira) aquando das ligações aéreas (diretas) entre Lisboa e Faial. Na mesma medida, um residente do Pico que apanhe o voo direto de terça-feira, tem de esperar cerca de 3 horas para continuar a sua ligação até ao seu destino final, isto porque a Sata | Azoresairlines aterra às 14 horas e só às 17 horas e 15 minutos é que a Transmaçor | Atlânticoline faz a viagem seguinte.
Mas não só de voos diretos se vive essa “desigualdade de preocupações”, a própria necessidade de recorrer ao Hospital é também ele um verdadeiro «lufa lufa», uma verdadeira “ode” às maratonas olímpicas. Falamos de apenas 4 horas entre o desembarque da lancha, a deslocação ao hospital, a consulta e o regresso e respetivo embarque na lancha. E note-se que o mais comum, é não ser-se capaz de fazer isso tudo nesse período temporal, obrigando aqueles que necessitaram de recorrer ao Hospital a ter de permanecer no Faial até ser possível apanhar a lancha de regresso, ou seja, a das 17 horas e 15 minutos.
É óbvio que não se quer por em causa o não cumprimento do artigo 13º (Principio da Igualdade) e do artigo 9º (Tarefas fundamentais do Estado) da Constituição da República por parte da Transmaçor | Atlânticoline, no que compete às suas obrigações públicas. O que se estranha, é a balança do bom senso que se deve louvar pelas atitudes desta empresa esbarrarem no “prato” que é devido à Ilha do Pico.

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