quinta-feira, 20 de julho de 2017

Do «Deus, Pátria e Família» à atual Democracia. "Parte 3 de 3 – A intervenção política na nossa democracia."

Durante cerca de 48 anos os portugueses foram “amordaçados” pelas três pedras basilares do Regime Autoritário de Salazar. A conjugação do “Deus, Pátria e Família” que durante anos foi atribuída a António de Oliveira Salazar, na verdade foi proferida pela primeira vez por Afonso Pena o 6º Presidente do Brasil.  A grande diferença no “conceito” era o uso de uma quarta palavra por parte do Advogado e Político Afonso Pena que afirmava que a vida se exprimia em quatro palavras “Deus, Pátria, Liberdade e Família”. A defesa destes quatro conceitos era para Afonso Pena o sustento de qualquer governação de sucesso, pois seria através destes quatro pilares que um Estado e/ou Nação se ergueriam de forma sustentada e voltada para o futuro.
 
43 anos após a conquista da suposta “Liberdade”, surgimos com um problema de conjugação dos quatro pilares de Afonso Pena. Hoje, temos insistentemente abusado do termo Liberdade para nos defendermos dos nossos atos, mas dado o uso dos restantes pilares por parte de António de Oliveira Salazar, a nossa “Democracia” tem-se esforçado para se distanciar desses mesmos conceitos.
Já vimos anteriormente (parte 1 e parte 2) o escrutínio da ligação da Igreja às questões do Estado (pois se cada um estiver no seu lugar tudo corre bem) e o desrespeito pelo conceito de família na nossa atual sociedade (onde se exige uma maior preocupação do Estado para que se inicie uma maior abrangência entre a vida profissional e a vida pessoal). Mas qual o impacto do conceito Pátria nas nossas ações diárias?
 
Pátria, no seu conceito simplificado, não é nada mais do que a “Terra Natal ou Terra Adotiva” de um Homem/Cidadão que nela se insere, tendo como dever exercer os seus direitos e deveres civis, políticos ou sociais, de uma forma e método comum e que seja transversal a todos aqueles que possam partilhar da mesma condição e dos mesmos objetivos, tendo sempre em vista a defesa dos interesses da sua Terra. Mas sempre que nos esquecemos do bem comum em prol de benefícios privados não estamos a ser de todo um modelo de cidadania respeitável e consecutivamente estamos a faltar com os nossos compromissos. Já anteriormente havia citado Platão, através do artigo Vota!, referindo que “o preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior”, e em boa verdade o certo é que durante 43 anos  passámos por várias fases de participação e muito da atual situação de afastamento é por culpa de quem durante vários anos usou e abusou do dom palavra e da aceitação dos cidadãos para usufruto próprio.
 
Ao olhar para a nossa democracia verifico que esta é pouco mais velha que eu e muito mais nova que muitos daqueles que acompanham as crónicas que vou escrevendo e como tal não é de todo dona e senhora da verdade e da certeza, mas é aquela que devemos defender pois de todos os modelos de governação é a menos má que podemos um dia ter.
 
Mas qual o impacto como cidadão na defesa e no progresso da minha terra?
 
Não existe uma fórmula mágica que me diga o que devo fazer ou como o fazer. Mas se no fundo, de alguma forma acreditar que o que tenho para oferecer pode trazer alterações benéficas ao local onde me insiro, então, tenho o dever de o oferecer ou de lutar por ela, algo que  só é possível com a Democracia.
 
Na curta história da nossa democracia e da nossa liberdade de decisão, conseguimos identificar três fases de participação política, o “Movimento Partidário”, o “Movimento Apartidário” e o “Movimento Anti partidário”.
 
A primeira fase, o Movimento Partidário ou “partidarismo”, é o movimento que mais nos acompanhou desde o pós 25 de Abril de 1974. Trata-se de um movimento de cidadão diretamente ligados a um partido político, de cidadãos que seguem uma determinada ideologia ou doutrina política comum aos ideais do partido que apoiam. Muitos dos apoiantes são “acusados” de votarem cegamente num partido independentemente do candidato que este apresente, sem questionar as ideologias, estratégias ou planos de ação.
 
A segunda fase, o “Movimento Apartidário”, é o movimento que tem vindo a crescer no seio das eleições autárquicas e que segundo o Jornal Público já é a quarta força autárquica do país. Este movimento consiste num movimento social de cidadãos que se dizem apartidários, isto é, movimentos que deveriam ser distanciados de todas as formas que poderiam liga-los a qualquer partido.
 
E a terceira fase, o “Movimento Anti Partidário” ou “anti partidarismo”, uma fase que menciono como sendo o processo gradual ou evolutivo dos “movimentos apartidários”. Este movimento resulta do facto de (e segundo o jornal O Público) grande parte das candidaturas independentes associadas a “movimentos apartidários” nascerem de conflitos internos dentro de partidos, como é o caso do candidato à Câmara Municipal de Sintra, Marco Almeida, (ex-PSD) ou do candidato à Câmara Municipal de Anadia, Litério Marques (Independente em 2013 e atual candidato pelo PSD para as autárquicas 2017, movimentos descritos pelo blog «abrilabril» como “grupos de cidadãos eleitores que despem as cores dos partidos, mudam os slogans em cartaz e humanizam as propostas”, dando o exemplo de Rui Moreira atual Presidente da Câmara Municipal do Porto (que só aceitou dar a cara pelo movimento independente depois de saber que parte do PSD e CDS lhe dariam apoio e que conseguiria dada a sua ligação a personalidade republicanas e de esquerda abrir portas a um eleitorado transversal aos partidos). E é aqui, que a terceira fase que referi, o “anti partidarismo”, começa a aparecer através de um movimento de cidadãos totalmente independentes, que se juntam sem qualquer apoio sectorial de partidos ou sem qualquer vínculo aos mesmos.
 
Mas independentemente de qual seja o modelo de intervenção política, partidária, apartidária ou anti partidária, o que realmente importa é que democraticamente vençam aqueles em quem os cidadão depositam mais credibilidade, confiança e dedicação para resolver os problemas da nossa terra. E esta liberdade de escolha para a defesa da nossa pátria só ainda é possível porque temos em nós uma democracia deficitária mas ainda democrática!

 








 

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