terça-feira, 24 de outubro de 2017

Até quando?


Já se passaram vários dias desde o trágico episódio que assombrou o país. Foram vários dias de um terror incalculável que dizimou a vida de centenas de portugueses que sem saberem viram-se dentro de um verdadeiro inferno! Das suas chamas, apenas restou o terror, o sentimento de desespero, de impotência e de revolta. Nada mais restou a não ser as cinzas do que outrora foram vidas.

Em sufocantes gritos de angústia e de temor apagaram-se hectares de história viva, de D. Dinis I, rezará apenas a história de como a sua visão de 11.080 ha protegeriam a cidade de Leiria das areias transportadas pelos ventos, e da sua “política” de renovação do pinhal que “obrigava” à replantação de pinheiros na mesma quantidade do corte de árvores ficará apenas a lembrança.

Do pinhal de Leiria rezará apenas a história da sua importância para os Descobrimentos. A sua dimensão, vai por agora permanecer apenas no imaginário de todos aqueles a quem se contar a sua história com a esperança que a recuperação seja possível de ser efetuada tal como foi em 1916.

Nada do que se possa dizer ou pensar sossegará aqueles que por tamanhas dificuldades passaram. Nada nem ninguém conseguirá apaziguar os fantasmas que pairam sobre aqueles que vivenciaram em primeira mão todo aquele sofrimento.

Se o disseram hoje, também o disseram em 1916, e desde aí nada foi feito para minimizar ou precaver os incêndios e culpabilizar “verdadeiramente” os incendiários.

Vidas em risco e heróis sem mãos a medir para tamanha batalha foram sendo postos à prova, dia após dia, ano após ano. E sem o devido apoio ou nada feito para precaução, o resultado está aí, mais de 100 mortos registados só este ano devido a incêndios!

E tal como vem sendo comum, a morte voltou novamente a varrer Portugal!

A desgraça ceifou os pulmões do país e a vida de centenas de pessoas e animais que nem com o seu instinto de sobrevivência conseguiram vencer esta batalha. Várias foram as vítimas que sofreram as consequências de atos criminosos que têm vindo a ser negligenciados pela justiça portuguesa. Custa-me a acreditar que exista alguém a quem a malvadez de aniquilar sem dó nem piedade aquilo que é de todos nós é superior aquele espírito acolhedor e afável de que tanto somos elogiados. Custa-me acreditar que possa existir alguém capaz de eliminar de forma tão vil e cruel centenas de vidas sem motivo aparente. Custa-me a acreditar mas a verdade é que os há, e sem qualquer pudor e sem deixar tempo para chorar o terror de Pedrogão, as chamas voltaram a ser ateadas sobre todos nós. E mesmo a mais de 1641 km de distância, o calor das chamas trespassou a imagem das televisões e deixou marcas em todos nós.

Portugal voltou a chorar, mas continuará a chorar até quando?

Até quando se deixará que crimes desta natureza fiquem impunes? Até quando se continuará a adiar decisões do interesse nacional para a proteção do ambiente e da segurança pública? Até quando se continuará a acreditar que remediar é melhor do que prevenir?

«Quando a última árvore tiver caído, quando o último rio tiver secado, quando o último peixe for pescado, vocês vão entender que dinheiro não se come!» (greenpeace)

Sem comentários:

Enviar um comentário