sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Factos sobre uma Ilha Prodígio!


No momento em que escrevo esta crónica estamos apenas a poucos dias de terminar o ano de 2017. Este é um momento especial, um momento de introspecção, de clareza, mas principalmente de olhar para o futuro com olhos de ver.

A ilha do Pico fecha assim mais um ano de luta, de consolidação do seu estatuto habitual de “ilha do futuro”. Mas, para mim, a ilha do Pico já deixou de ser a ilha do futuro para ser verdadeiramente uma ilha prodígio e estes são os factos que sustentam esta interpretação.

1.º Turismo

Olhar para o sector do turismo é sem dúvida um marco cada vez mais importante. Mas mais importante ainda, é perceber que a sua “progressão” é efetuada de forma sustentável, e neste aspecto, a ilha do Pico tem sabido consolidar a sua posição como ninguém. A ilha do Pico, mesmo com uma redução substancial das condições disponíveis para o seu acesso, conseguiu entre 2016 (janeiro a dezembro) e 2017 (janeiro a outubro) ter uma aumento de 1189 hóspedes! É a terceira ilha com maior variação do número real de hóspedes de toda a região e a primeira em termos de “triângulo”, ficando à frente da ilha de São Jorge que possui uma variação positiva de 323 hóspedes e da ilha do Faial que possui uma variação negativa de 624 hóspedes. Em termos de dormidas, o panorama mantém-se com a ilha do Pico a cimentar a sua posição com um crescimento de 2794 dormidas, face às 1402 da ilha de São Jorge e à variação negativa de 4603 dormidas da ilha do Faial. Importa também referir que, ao nível do triângulo, a ilha do Pico é também a ilha onde os turistas passam em média mais noites, 2,5 noites/turista, enquanto que a média da ilha de São Jorge e do Faial é de 2,2 noites/turista e com a ilha do Faial a apresentar uma redução na sua média face ao ano anterior. A ilha do Pico, é também a segunda ilha do arquipélago onde os turistas mais gastam dinheiro, totalizando uma média de 138,09€/turista, mais 25,55€ que no Faial e mais 32,51€ que em São Jorge. 

2.º Sector empresarial

Quando falamos em tecido empresarial, temos obrigatoriamente que apontar “a seta” em direção ao Pico pois é aqui que se encontra cerca de 50% de todo o tecido empresarial do “triângulo”! No sector das pescas, a ilha do Pico foi responsável por descarregar cerca de 20% do total da Região e cerca de 64% do total do triângulo, e note-se, que muitos pescadores e embarcações da ilha do Pico dado o valor mais elevado (€/kg) preferem descarregar na ilha do Faial. Em termos de lacticínios, a ilha (do triângulo) com maior entrega de leite em fábrica é a ilha de São Jorge  logo seguida da ilha do Faial, ficando a ilha do Pico apenas com uma quota de 15%, contudo, a ilha do Pico é também a única ilha que até ao momento apresenta um aumento da sua produção face a 2016. É na ilha do Pico que se centram as maiores culturas (produções) do triângulo, sendo o Pico responsável por 72% da produção de vinho, 54% da produção de Milho Forragem, 43% da produção da batata e 53% da produção de milho-grão. O Pico é também responsável por cerca de 40% do total da produção de carne IGP dos Açores num total de 317 explorações. Em termos de construções, é na ilha do Pico que se centram cerca de 70% do total de novas construções de todo o triângulo, representando cerca de 16% de toda a região. Foi também na ilha do Pico que foram constituídas 42% das novas empresas de todo o triângulo, o que vem de certo modo “aumentar” o seu desfasamento face às restantes ilhas.

3.º Cultura e Lazer

Apesar de todo o “enredo” estatístico, a ilha do Pico é também por si só um centro importante da cultura. É na ilha do Pico que se encontra o museu mais visitados dos Açores, o Museu dos Baleeiros no Concelho das Lajes do Pico.  A Vila da Madalena foi nomeada “Cidade do Vinho 2017” e o vinho Czar tornou-se “eterno” ao fazer parte de uma pequena elite de vinhos centenários do país! A Montanha do Pico continua sistematicamente a bater recordes na sua subida apresentando crescimentos de tal ordem “astronómicos” que obrigou ao Parque Natural dos Açores a aplicar um limite diário máximo de subidas e de dormidas na maior montanha de Portugal.  Apesar de redigido em termos “Açores”, todos sabemos que a distinção da  “European Best Destinations” como melhor local europeu para ver baleias era dirigido à ilha do Pico. Mas não só de montanha e baleias se desenvolve a ilha do Pico, também as “cavidades vulcânicas” têm feito o vislumbre de quem nos visita, o que não é alheio que este ano tenha sido o ano em que a Gruta das Torres teve o seu visitante 100 mil e no mesmo ano em que as visitas cresceram cerca de 14% face a 2016.

4.º O Aeroporto

Apesar de tudo “ser” contra, o movimento popular da defesa do aumento da pista do aeroporto tem sido capaz de fazer com que o Pico se “sente” à mesa das negociações com propostas plausíveis e coerentes, que são defendidas através de estudos estatísticos que comprovam não só a sua aplicabilidade e a sua necessidade mas também a sua centralidade. É obvio que se tem tratado de um verdadeiro combate de “David e Golias”, mas o importante na sua realização, é o facto da ilha do Pico começar a ter voz ativa na discussão, o que já começa a acontecer! As coisas já não são conversadas de animo leve e muito menos por “teorias bairristas” ou da “conspiração”. Hoje, as as discussões ou as reivindicações feitas pelo Pico e pelas suas gentes já são feitas com elementos plausíveis e com soluções aos problemas apontados, e isso é coisa que já ninguém nos tira!

No fundo, continuarmos a perpetuar a expressão de “ilha do futuro” quando nos dirigimos à ilha do Pico começa a ficar cada vez mais obsoleto e com maior desapreço à sua realidade, é que o Pico já é sinónimo de “presente”. O Pico, é cada vez mais a centralização do triângulo e é cada vez mais a “Ilha Prodígio” do arquipélago açoriano, e isso, é algo que devemos dia-após-dia demonstrar e afirmar com todo o orgulho que podermos sustentar, pois fazer tudo quanto fazemos sem “acessibilidades” é de facto prodigioso! 



É que os números, apesar de serem apenas números, não enganam! 


11 comentários:

  1. Contra factos não há argumentos!
    Excelente análise! Parabéns!
    Haja saúde!

    ResponderEliminar
  2. Uma excelente retrospetiva do que se passou durante o ano de 2017.

    Espero que 2018 traga boas notícias! E que não baixemos os braços na nossa reivindicação.

    Bom ano,

    Abraço :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigado Luís Ferreira,

      2018 é certamente um ano para continuarmos a lutar pelos interesses do Pico.


      Um abraço e bom ano!

      Eliminar
  3. Uma análise verdadeiramente representativa do Pico da atualidade. Parabéns.
    José Costa

    ResponderEliminar
  4. muito bom o seu trabalho,
    um feliz ano novo
    e viva ao PIco

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito obrigado pelas suas palavras!

      Se quiser seguir este blog pode fazê-lo na página inicial e através da página de facebook.

      Um bom Ano 2018!

      Eliminar
  5. Parabéns por mais uma excelente análise! Que continue com "voz" ativa em 2018!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigado Bruno, que 2018 seja um ano de grandes sucessos para o Pico!

      Bom ano 2018!

      Eliminar