segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Mais de 60% dos Produtores de Leite Açorianos estão falidos!




A Região Autónoma dos Açores possui aproximadamente 2.132 produtores de leite entre os quais mais de 1.279 estão falidos, quem o afirma é o Governo Regional, os produtores e a indústria dos Açores que são unânimes na afirmação que o fim das quotas leiteiras há três anos atrás criou um cenário negro para a região.
O regime de quotas foi introduzido em 1984 num período em que a produção do leite excedia em grande percentagem a sua procura, contudo, as constantes reformas à Política Agrícola Comum (PAC), levaram mesmo à liberalização das quotas em 2014.
Na altura, esta medida foi vista com um enorme potencial para o setor leiteiro, mas através do artigo «A economia açoriana e o fim das quotas leiteiras!» publicada 7 de Abril de 2015, já este blog referia o perigo que daí advinha onde destacava que «A eliminação das quotas leiteiras faz do ano de 2015 o ano da mudança para o sector do leite europeu, uma mudança que afetará em escala superior a Região Autónoma dos Açores (R.A.A) que detém sobre este sector um peso superior a 20% da sua economia global.»

O Secretário da Agricultura do Governo dos Açores, João Ponte, assumiu recentemente que os impactos no arquipélago açoriano “foram acrescidos”, já Jorge Rita, Presidente da Federação Agrícola dos Açores, afirmou que os agricultores ficaram muito mais frágeis face à concorrência do Norte da Europa, que coloca os seus produtos excedentários nos países periféricos a um preço abaixo do preço de produção. Mas isso também não é nada que não tivesse sido alertado no artigo atrás mencionado, onde destaco «O fim da quotas leiteiras antecipam um futuro de “livre competição”, onde a teoria da “oferta e da procura” vai liderar um mercado frágil com os produtores nacionais a terem poucas capacidades de competir através do factor preço (os países do Leste encontram-se à bastante tempo à espera desta alteração das regras que lhes permitirão “inundar” com o leite que produzem a um preço impossível de praticar em Portugal (…)»
Por substituição ao programa das quotas, o Governo Regional dos Açores reforçou os apoios aos produtores através do Posei, permitindo assim, que os produtores ainda “mantivessem” a cabeça fora de água para respirar.
Ao todo, hoje fala-se de forma preocupada mas espantada, que mais de 60% dos produtores açorianos estão falidos, afirmando a necessidade urgente de se ter que encontrar soluções e alternativos para este “problema”, mas há três anos atrás, essa preocupação já era visível e presente no artigo em questão, «O fim da quotas leiteiras (…) pretende que se reduzam o número dos denominados “produtores dependentes de subsídios” (…) medidas que (…)irá originar o encerramento de várias atividades, sobrevivendo apenas aquelas que demonstrarem uma maior eficiência produtiva (…)».
A pergunta que se deve colocar é, o que se andou a fazer durante três anos para colmatar este problema?
É que se temos leite de qualidade, “Vacas felizes” em longos prados “verdejantes” e um selo que nos demarca da concorrência por serem produtos de elevada qualidade ambiental, então por que motivo continuamos no final das contas, a verificar uma luta de competição de produtos pelo fator preço e não pelo fator distinção, subjugando os nossos produtores a uma subsídio-dependência que pouco a pouco vai estrangulando todo o nosso setor produtivo?



Para ver o artigo integral de 7 de Abril de 2015 clique na imagem

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